NOTÍCIAS

Marcelo Girade
CONSULTOR MARCELO GIRADE *

Três razões para bancos e seus clientes utilizarem a mediação na solução de seus conflitos


A mediação pode ser entendida como uma negociação facilitada por um terceiro neutro e que seja aceito pelas partes em conflito. Significa que nesse processo, as pessoas, sejam elas físicas ou jurídicas, continuam utilizando a negociação para resolver os seus problemas. Nesse caso, a presença do mediador, aumenta as chances dessa negociação ocorrer da forma mais produtiva e construtiva possível.

Podemos dizer que quando nos encontramos em uma situação de conflito, temos à nossa disposição dois grandes caminhos passíveis de serem trilhados. Um deles vai na direção de soluções que podem ser alcançadas por meio de métodos não adversariais, com uma forte orientação colaborativa. A negociação, a mediação e a conciliação são alguns dos principais exemplos. O outro caminho segue na direção de alternativas com orientação competitiva e, portanto, com fortes características adversariais, onde para que um ganhe o outro tem que perder. Como exemplo, temos as ações judiciais nos tribunais de justiça.

Os novos cenários nacionais e internacionais estão sendo estruturados para privilegiar os métodos consensuais de resolução de disputas. Nos cinco continentes, em maior ou menor grau, existe um progressivo avanço das instituições para adoção de meios não adversariais que priorizem a conciliação entre as partes. O Brasil segue a mesma tendência. Temos hoje uma Política Nacional que trata desse assunto e duas grandes mudanças na legislação. O novo Código de Processo Civil e a Lei de Mediação.

Ao entrarem em vigor, já em 2016, essas duas leis (13.105/2015 e 13.140/2015) provocarão mudanças significativas na política das empresas quanto à resolução de suas disputas. A primeira das três razões, comentadas aqui nesse artigo, está diretamente ligada ao aspecto legislativo. Vamos analisar mais detidamente essas razões e refletir sobre sua aplicabilidade.

Três grandes razões para usar a mediação e gerar resultados


1. Alinhamento com as Mudanças Legislativas

Tentar resolver as disputas utilizando a via consensual se tornará o padrão de trabalho no curto prazo. Quanto mais cedo os bancos e seus escritórios de advocacia se prepararem para esse novo cenário, mais rápido surgirão os resultados. Estar alinhado com as normativas legais é sempre uma grande vantagem para qualquer empresa. Aumenta a liberdade de atuação e minimiza os riscos de perdas decorrentes do desalinhamento com o que é estabelecido pela lei.

Pelas novas regras, toda disputa que reunir as condições mínimas de transação será encaminhada, pelo magistrado, para uma tentativa de conciliação, obrigatoriamente. A exceção será quando as partes manifestarem, na petição, não terem a intenção de composição. Quando apenas um dos lados não fizer essa opção, terá que justificar o motivo pelo qual não deseja tentar o acordo. Se os bancos começarem a se organizar para fazerem essa tentativa antes mesmos do processo judicial, podem minimizar os gastos habituais com a Justiça.

2. Economia de Recursos

Como diz a máxima: “tempo é dinheiro”. Significa que quanto maior a curva cronológica entre o aparecimento do problema entre banco e cliente e a sua solução, maiores os gastos com custas, advogados, prepostos, operações administrativas, documentos, mobilização de colabores, indenizações, multas etc.

Uma das maiores vantagens da mediação é a possibilidade de resolver uma disputa de forma célere. A comunicação é direta, franca, aberta e gera uma troca de informações produtiva que pode servir de base para soluções criativas e que geram satisfação mútua.

O que poderia levar meses ou até mesmo anos para ser resolvido é acelerado pelo contato direto entre as partes, mantendo o poder de decisão nas mãos de clientes e bancos.

3. Preservação da Imagem

Imagem também é dinheiro. Quanto melhor a imagem da empresa perante o cliente, maior a fidelidade desse diante da empresa. O contrário também é verdadeiro.

A forma como o banco trata o cliente quando surge uma disputa será crucial para a manutenção, o aperfeiçoamento ou o desgaste da imagem da empresa diante do cliente. Se o banco oferece canais efetivos de negociação, onde pessoas bem preparadas estão na linha de frente das interações, a chance de se chegar a um consenso é bem maior. Acordos satisfatórios são feitos em base a um ambiente de respeito, consideração e criatividade.

Quando banco e cliente optam por utilizar a mediação para resolver seus conflitos, estão escolhendo preservar o relacionamento sem perder de vista a solução do problema. Essa é uma escolha que as empresas não podem se dar ao luxo de descartar.

* Marcelo Girade é Diretor Executivo da M9GC – Treinamento em Resolução de Conflitos; Mediador desde 2002 com certificação avançada pelo Instituto de Certificação e Formação de Mediadores Lusófonos – ICFML; Coordenou Administrativamente o Núcleo Permanente de Mediação e Conciliação do TJDFT de novembro de 2011 a junho de 2014; Membro do Conselho Consultivo da Escola Nacional de Mediação e Conciliação do Ministério da Justiça; Instrutor de Mediação, Negociação e Resolução de Conflitos em tribunais, defensorias públicas, ministérios públicos, escritórios de advocacia, dentre outras instituições. marcelo@m9gc.com

Data de Publicação: 08/12/2015




ASSBAN - Associação dos Bancos no Distrito Federal
SHCRS Quadra 503, Bloco A, Nº 13
Brasília-DF, CEP:70331510
E-mail: assban@assbandf.com.br
Telefone/FAX: (61) 3224.1883 / 3224.4445
Redes Sociais

Termo de Uso | Empresas Certificadoras
Copyright 2015 - Todos os Direitos Reservados, ASSBAN DF